Ele queria muito, e até me diverti a fazê-lo.
Aliás, foi engraçada, a festa. Eu até gosto de estar com os miúdos, de fazer de bobo da festa, de organizar os jogos e tudo mais. Diverte-me.
No entanto, o dia-a-dia com o meu irmão não é sempre divertido.
Aliás, deveria ser muito mais. No entanto, desde que o pirralho apareceu por estes lados muita coisa mudou, coisas que uma menina de oito anos não era capaz de entender. Não por causa do mimo ou qualquer outro capricho mas por não gostar de mudanças bruscas e muito menos de ser deixada ao sabor das ondas quando ainda era um rebento.
Aliás, deveria ser muito mais. No entanto, desde que o pirralho apareceu por estes lados muita coisa mudou, coisas que uma menina de oito anos não era capaz de entender. Não por causa do mimo ou qualquer outro capricho mas por não gostar de mudanças bruscas e muito menos de ser deixada ao sabor das ondas quando ainda era um rebento.
Assim, desde logo me tornei muito independente e desenrascada, (acho que sempre o fui, muito despachada, como diz a avó) mas também um bocadinho carente e vá, de certa forma, reprimida.
Nunca lidei muito bem com isso, ou da forma que se esperava, e agora sei que isso se reflecte na relação de manos que temos, quer queiramos quer não. Eu exigia atenção, ele não gostava que ma dessem. Foi o caldo entornado. E uma miúda guarda rancores e portanto a partir, mais ou menos, dos meus 13 anos e dos 5 dele nem o podia ver - em bom português. É aquela fase má em que eles já sabem que estão a fazer asneiras e isso chateia.
O problema é que tudo isto se foi arrastanto, e nós afastámo-nos de forma significativa. Não partilhávamos muitas coisas em comum embora gostássemos um do outro, e por isso estávamos lá, mas não estávamos juntos.
Hoje, temos pouca cumplicidade. Eu sou impaciente e ele tem mau feitio. Damo-nos bem, não somos propriamente reles um para o outro. Mas gostava que por vezes fosse diferente. Até porque somos sangue do mesmo sangue. Mas há coisas que nem nós podemos controlar, como a forma que os meus pais têm de lidar com isso (nunca ajuda). Espero mesmo que não nos afaste mais, e que talvez quando tiver mais maturidade ele me ajuda na tarefa e re-fazer laços que nunca foram muito fortes. E que um dia a cumplicidade que não temos agora, surja em dobro.

